OMS DIZ ESTAR PREOCUPADA COM BRASIL E ALERTA PARA RELAXAMENTO NA LUTA CONTRA A PANDEMIA
ENEBRA (Reuters) - A chegada de vacinas contra a Covid-19 não deveria induzir os países a relaxarem os esforços de combate à pandemia de coronavírus, disseram importantes autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira, citando o receio de que a epidemia do Brasil possa se alastrar para outros países.
"Achamos que já saímos disto. Não saímos", disse Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS, em uma entrevista coletiva virtual. "Países regredirão para um terceiro e um quarto surto se não tomarmos cuidado". O Brasil registrou recordes de mortes de Covid-19 nesta semana e o sistema hospitalar do país está à beira do colapso, em parte por causa de uma variante mais contagiosa identificada pela primeira vez em solo brasileiro. Em nível global, o número de casos de Covid-19 reverteu uma tendência  de queda de seis semanas na semana passada, apesar da entrega de milhões de doses de vacinas nas últimas semanas, mostraram dados da OMS. "Agora não é hora de o Brasil ou qualquer outro lugar relaxar", acrescentou Ryan. "A chegada de vacinas é um momento de grande esperança, mas também pode ser um momento em que perdemos a concentração." O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descreveu a epidemia no Brasil como "muito, muito preocupante" e alertou para um possível transbordamento regional. "Se o Brasil não for sério, continuará a afetar toda a vizinhança ali e além."
BUSCA POR VACINAS: CONSÓRCIO DE PREFEITOS TEM ADESÃO DE 337 CIDADES DE MG
O consórcio nacional formado por prefeitos para a compra de vacinas contra o novo coronavírus teve a adesão de 337 municípios mineiros. O montante representa 19,7% das mais de 1,7 mil adesões em todo o país, conforme divulgado nesta sexta-feira (5/3), no balanço oficial da Federação Nacional dos Prefeitos (FNP). A ação representa uma tentativa de plano B caso o Ministério da Saúde não distribua de forma rápida os imunizantes, uma vez que a doença se expandiu por todo o país – boa parte dos estados da União estão com mais de 80% das UTIs ocupadas. Em Minas, cidades mais populosas como Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora, Montes Claros, Ribeirão das Neves, Divinópolis, Santa Luzia, Patos de Minas, Pouso Alegre e Barbacena aderiram aos termos de compromisso. A previsão é que de uma associação seja efetivamente instalada até 22 de março para definir os trâmites do acordo. Deve ser ainda elaborado um modelo de projeto de lei para ser enviado às câmaras municipais para que as cidades participem das compras.  “A adesão superou as expectativas, já que até o meio-dia tínhamos mais de 1,7 mil cidades que manifestaram interesse. Elas representam 60% da população brasileira e 24 capitais. Há uma preocupação dos prefeitos em construir institucionalidade para acelerar o processo de imunização da população”, afirma Gilberto Perre, secretário-executivo da FNP ao Estado de Minas. “Os prefeitos estão vendo que a população quer ser vacinada. Essa adesão maciça em poucos dias para um instrumento jurídico que tem suas complexidades, que é o orçamento público, demonstra a disposição dos gestores a respeito disso”, acrescentou Perre. Segundo ele, o consórcio tem o objetivo de disponibilizar vacinas a 130 milhões de pessoas. Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu aval para que prefeitos e governadores estejam aptos a adquirirem vacinas caso o Plano Nacional de Imunização (PNI) não fosse cumprido à risca. Perre afirma que a demanda por vacinas pode ser facilitada se forem feitas conjuntamente pelos municípios: “Quem vai dizer de fato se o PNI está sendo desenvolvido a tempo? Não adianta esperar respostas para depois construir uma institucionalidade para ir atrás das vacinas. Os prefeitos estão se antecipando. É muito potência para ir fazer compra. Você consegue comprar em escala e com a credibilidade que os prefeitos têm no exterior”. A FNP discutirá as formas de financiar a aquisição dos imunizantes. Há três possibilidades principais: recursos do governo federal; financiamento por organismos internacionais e doações de investidores privados brasileiros. Kalil não acredita e m consórcio.  Apesar de aderir ao consórcio, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) disse nesta sexta-feira que somente o governo federal poderá ter acesso às vacinas para a população e discorda de que a iniciativa terá êxito. Até o momento, 130.910 pessoas receberam a primeira dose da vacina em BH. Outras 62.140 tomaram a segunda dose. O total de vacinas destinadas à capital é de 293.520. Os imunizantes foram distribuídos entre trabalhadores de saúde (141.945), idosos (44.836) e profissionais e moradores de lares de permanência para idosos.
GOVERNO USOU FIOCRUZ PARA PRODUZIR CLOROQUINA COM RECURSOS EMERGENCIAIS, DIZ JORNAL
O Ministério da Saúde usou a Fundação Oswaldo Cruz para a produção de 4 milhões de comprimidos de cloroquina com recursos públicos destinados ao combate à Covid-19. As informações são da Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, entre o final de junho e início de outubro, a Fiocruz produziu cloroquina e o Tamiflu com destino a pacientes infectados pela doença. Nenhum dos dois medicamentos têm eficácia comprovada contra o novo coronavírus. O dinheiro que financiou essa produção partiu de Medida Provisória editada em 2 de abril pelo presidente Jair Bolsonaro. A medida abriu um crédito extraordinário para a Saúde no valor de R$ 9,4 bilhões. Para a Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, foram destinados R$ 457,3 milhões para "enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus". Em dois documentos enviados pelo governo ao Ministério Público Federal são apontados gastos de R$ 70,4 milhões, da MP, para a produção de cloroquina e Tamiflu pela Fiocruz. Segundo a Fiocruz, a produção de cloroquina e Tamiflu não impactou ações para pesquisas e desenvolvimento de imunizantes. A Fiocruz é responsável pela importação e produção da vacina desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford. A Fundação também desenvolve pesquisas para a criação de uma vacina nacional.
PAZUELLO DIZ QUE NOVO MINISTRO “REZA MESMA CARTILHA” E ATACA ANTECESSORES
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse, nesta 4ª feira (17.mar.2021), que o futuro ocupante da pasta, o cardiologista Marcelo Queiroga, vai “rezar a mesma cartilha” que a sua na condução das políticas de combate à pandemia. A declaração foi feita durante cerimônia para entrega de 500.000 doses de vacinas contra a covid-19 da AstraZeneca/Oxford fabricadas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) na unidade Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro. Queiroga também estava no evento. Ele ainda não foi nomeado para o cargo. Segundo Pazuello, a confirmação depende apenas de questões administrativas. “Temos pela frente uma transição de cargos de ministro que é apenas uma continuidade do trabalho. O doutor Marcelo Queiroga reza na mesma cartilha”, declarou Pazuello. Segundo o ministro, seu sucessor vai assumir o cargo em uma condição mais favorável que a sua. “A diferença é que eu vou entregar pra ele um ministério organizado, estruturado, funcionando. Como médico cardiologista, com conhecimento técnico, vai poder navegar nessas ferramentas em prol da saúde do Brasil”, afirmou. “Queiroga pode ir além utilizando a estrutura já preparada para o início do trabalho. O momento é bom com relação à capacidade de combater a pandemia no Brasil”, disse. Em tom de despedida, Pazuello disparou contra as gestões anteriores do Ministério da Saúde. Criticou o fato de o governo federal não ter investido na construção de fábricas de IFA (insumo farmacêutico ativo). “O Brasil é dependente de insumos farmacológicos da Índia e da China. Isso quer dizer que, se fecharem a torneira, não temos material para vacina. Essa é a verdade. Nunca tivemos. Nossos antigos governantes não fizeram isso, mas nós fizemos. A Fiocruz está com sua fábrica de IFA pronta. Em abril, começamos a produzir e, em maio, teremos IFA para começar a produção no Brasil”, disse. Nessa 3ª (16.mar), o Ministério da Saúde confirmou mais 2.841 mortes por covid-19. É o número mais alto já registrado em 24 horas.
DIRETOR DA OMS DIZ QUE VAI TENTAR ANTECIPAR ENTREGAS DE VACINAS AO BRASIL
O novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, teve reunião virtual, na manhã desta 4ª feira (21.abr.2021), com o diretor-geral da OMS Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom. França e Tedros (OMS) debateram sobre a cooperação entre os países no combate ao coronavírus. O diretor-geral afirmou que vai tentar antecipar entregas de vacinas ao Brasil, mas fez um pedido para que Brasil “exerça” sua liderança histórica no combate a crise sanitárias e produção de vacinas. Esse foi o primeiro encontro de um chefe da diplomacia do Brasil com a direção da OMS desde o início da pandemia, que começou em março de 2020. Desde que o ex-ministro Ernestro Araujo pediu demissão do comando das Relações Exteriores, o posicionamento da pasta tem mudado. Na 6ª feira (16.abr.2021) , o ministério anunciou que a ONU antecipará o envio de 4 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 destinadas ao Brasil por meio da Covax Facility, iniciativa co-liderada pela OMS. Ernesto Araújo vinha sofrendo crescente pressão para deixar o Itamaraty. Recebeu diversas críticas por manter um discurso anti-China e contra o que definia ser uma “agenda globalista” de organismos internacionais.
COVID: FIOCRUZ ALERTA QUE VARIANTE BRASILEIRA PODE TER CARGA VIRAL 10 VEZES MAIOR
A variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P.1, pode ser responsável por uma carga viral até 10 vezes maior do que outras cepas do Sars-CoV-2, é o que diz uma pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e que foi assinada por 29 cientistas. Essa característica pode explicar o aumento da frequência de casos no Amazonas. Em dezembro, a variante correspondia a 35% das infecções e em janeiro, já passava dos 75% dos casos, segundo Felipe Naveca, da Fiocruz Amazônia. O pesquisador, em entrevista à RFI, explicou: “Acredito que esta carga viral mais alta facilite a transmissão do vírus. Os pacientes têm mais vírus nas secreções de nasofaringe, é mais fácil que este vírus seja transmitido para outras pessoas. Se observarmos o período quando a P1 emerge – em dezembro do ano passado, com as férias de final de ano, Natal, Ano Novo, situações em que as pessoas acabam se aproximando mais, mesmo que não devam -, achamos que foi o cenário perfeito para a disseminação de uma variante com um poder ainda maior de transmissão”. O estudo acompanhou a evolução das mutações e variantes ao longo tempo, entre março de 2020 e janeiro de 2021, em pacientes do Amazonas. Naveca acredita que a capacidade de transmissão da P.1 pode explicar a grande quantidade de casos entre pessoas fora do grupo do risco, principalmente os mais jovens, que saem para trabalhar ou aqueles que insistem em aglomerações. “São pessoas que acreditam que, mesmo que peguem a doença, terão uma resposta mais tranquila. E nós temos ouvido relatos de médicos dizendo exatamente o contrário. Então, tem vários fatores aí. Mas certamente a causa por trás do avanço da Covid-19 no Brasil nesse momento é a P1”, finalizou o pesquisador.