SENADOR FLÁVIO BOLSONARO ACABA DE COMPRAR UMA MANSÃO DE QUASE R$ 6 MILHÕES EM BRASÍLIA
O senador Flávio Bolsonaro, que semana passada conseguiu anular no STJ as quebras de sigilo bancário e fiscal do inquérito da rachadinha, acaba de comprar uma mansão de quase R$ 6 milhões em Brasília. O imóvel de luxo fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital, e vinha sendo anunciado com destaque em sites de imobiliárias locais: "A melhor vista de Brasília da suíte máster", dizia um anúncio, já desativado. Nos últimos meses, Flávio e sua mulher visitaram discretamente outras casas de luxo, algumas às margens do Lago Paranoá e anunciadas por até R$ 10 milhões.
O novo negócio imobiliário do filho do presidente, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro com imóveis, foi cercado de cuidados. Em vez de procurar um cartório da capital, o senador optou por lavrar a escritura de compra num serviço notarial de Brazlândia, cidade-satélite a cerca de 45 km do Plano Piloto. Parte dos R$ 5,97 milhões pagos no imóvel foi financiada junto ao Banco Regional de Brasília (BRB), presidido por Paulo Henrique, nome do governador Ibaneis Rocha, que é aliado do clã Bolsonaro.
VEREADOR É MORTO EM DUQUE DE CAXIAS; FILHA DE FERNANDINHO BEIRA-MAR ASSUME CARGO
O vereador Danilo Francisco da Silva, o Danilo do Mercado, de 53 anos, foi assassinado na rua, em Duque de Caxias, na tarde de quarta-feira (10). O parlamentar estava acompanhado pelo filho, Gabriel Francisco Gomes da Silva, de 25 anos, que também foi morto. Os criminosos atiraram e conseguiram fugir de carro. Desde 2018, pelo menos 24 políticos foram assassinados no estado do Rio de Janeiro. Pai e filho haviam almoçado em um restaurante, saíram do estabelecimento e estavam a caminho do automóvel quando foram atacados. A Polícia Civil recolheu imagens de câmeras de segurança das imediações e tenta identificar os atiradores. Segundo a polícia, o parlamentar era investigado por supostos crimes de homicídios, formação de milícia e grupo de extermínio, grilagem de terras, extorsão e ameaça. Em um dos casos, Danilo foi acusado de ser o mandante da morte de três homens, atacados em junho de 2020 no Parque Santa Lúcia. Dois morreram e o terceiro sobreviveu. Com a morte de Danilo, assumiu a vaga de forma definitiva como vereadora a dentista Fernanda da Costa, filha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Ela já ocupava uma vaga na Câmara, substituindo um vereador que assumiu uma secretaria municipal de Duque de Caxias.
TENSÃO CHEGA AO AUGE, TRÉGUA PARECE LONGE E AUTORIDADES DIZEM NÃO VER SAÍDA PARA ESTANCAR CRISE ENTRE PODERES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A semana terminou da pior forma possível na avaliação de líderes partidários e ministros de cortes superiores. Os que acreditavam que seria possível amortecer as tensões terminaram a sexta-feira (20) decepcionados. Mais do que isso, essas pessoas agora dizem não enxergar uma saída para a crise institucional que o país atravessa, sem precedentes na história recente, segundo essa leitura. A avaliação é que nenhum dos lados, nem Supremo nem Jair Bolsonaro, dá sinais de que vai recuar, e a paz parece longe neste momento. Os principais nomes que atuam em busca de amenizar as tensões estavam sem palavras nos minutos seguintes a Bolsonaro entregar ao Senado o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes na noite de sexta. A principal mensagem de uma ala do Supremo é de "calma". Entre aliados do presidente, a sensação descrita é de que, de fato, como previsto, é impossível controlá-lo. Mesmo que já seja sabido que Bolsonaro age sempre dessa maneira imprevisível, e gosta da polarização, auxiliares apontam que a operação da PF autorizada por Moraes esvazia os movimento para tentar segurar seus atos impulsivos. No mundo político a leitura é a de que já não importa muito como a briga começou, mas cada ataque servirá para justificar uma reação supostamente de defesa, de lado a lado. Líderes partidários falam em momento delicadíssimo, que pode caminhar para uma situação trágica. A avaliação é que Bolsonaro está definitivamente partindo para o tudo ou nada. Como mostrou o Painel, da Folha de S.Paulo, ministros do Supremo e políticos afirmam que ficou inviável a aprovação de André Mendonça para a vaga aberta para o STF. Eles dizem que o envio do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes na noite desta sexta-feira (20) acabou com qualquer chance que ainda existia. Dois movimentos importantes devem manter baixa a esperança daqueles que tentam colocar panos quentes na situação. O presidente da República prometeu entregar o segundo pedido de impeachment nos próximos dias, o de Luis Roberto Barroso. O segundo ponto é que há promessas de que a mobilização no dia 7 de setembro será grande, com atos que pedem a saída de ministros do STF. mesmo tempo, as investigações que foram abertas para conter os excessos de Bolsonaro e seus apoiadores seguem em andamento, podendo ter novidades a qualquer momento.
BIA KICIS PASSA UM MÊS SEM DEFINIR RELATOR E TRAVA PEC DO PAZUELLO NA CÂMARA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) recebeu de Arthur Lira (PP-AL) em 21 de julho a chamada ‘PEC do Pazuello’, que barra a participação de militares da ativa em cargos da administração pública. Desde então, ela não definiu o relator da proposta de emenda à Constituição, travando assim sua tramitação. O presidente da Câmara recebeu a PEC em 14 de julho e a despachou para Bia Kicis dois dias depois, durante o recesso parlamentar, em movimento que foi compreendido como sinalização de boa vontade do centrão com a proposta. Perpétua Almeida (PCdoB-AC), autora da PEC, diz que tem conversado diariamente com Kicis, que, segundo ela, tem respondido que precisa decidir o relator com calma. Não compreendo qual a dificuldade da presidente Bia de definir um relator, tendo em vista que a CCJ analisa apenas a constitucionalidade da proposta. O mérito mesmo será debatido na comissão especial. Essa demora da presidente da CCJ passa a ideia de que há uma ação deliberada de protelar a decisão”, diz Perpétua à coluna Painel, da Folha de S.Paulo. A presidente da CCJ afirma à coluna que existem várias outras PECs aguardando para serem  distribuídas e que está conversando com os vários interessados em relatar para decidir pela relatoria. Perpétua tem defendido que Margarete Coelho (PP-PI), aliada de Lira e ex-vice-governadora do petista Wellington Dias (PI), seja a relatora. A PEC acrescenta um dispositivo no artigo 37 da Constituição Federal, que trata da administração pública, e coloca condições para que o militar da ativa possa exercer cargos de natureza civil nos três níveis da federação. Segundo a proposta, se tiver menos de dez anos de serviço, o militar deverá se afastar da atividade. Os que estiverem acima disso na hierarquia militar passarão automaticamente, no ato da posse, para a inatividade.
PRESIDENTE CCJ DO SENADO NÃO PAUTA INDICAÇÃO DE ANDRÉ MENDONÇA PARA STF
Após ofensiva de Bolsonaro ao STF, presidente da CCJ diz que não vai mais pautar indicação de André Mendonça à Corte. O ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) classificou como "grave afronta" o pedido de impeachment, protocoloado pelo presidente Jair Bolsonaro, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em conversa com interlocutores ouvidos pelo GLOBO, Davi afirmou que, diante da ofensiva de Bolsonaro, não vai mais pautar, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a indicação de André Mendonça, atual advogado-geral da União, ao STF. Segundo palavras do próprio Davi Alcolumbre, "não há mais clima" para que a indicação feita por Bolsonaro entre na pauta do Senado. O parlamentar argumentou que, "se Bolsonaro não respeita o Supremo, não tem condições de cobrar celeridade para a indicação".O pedido de impeachment protocolado por Bolsonaro jogou por terra a articulação política que estava sendo feita por senadores aliados, como Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Jorginho Mello (PL-SC), e pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), para distensionar a relação com Davi e agilizar, no Senado, a tramitação da indicação de Mendonça. Flávio Bolsonaro e Jorginho Mello chegaram a pedir ao presidente da CCJ que avocasse para si a relatoria da indicação, de forma a mostrar que a relação estaria pacificada e que nada teria contra Mendonça, cuja aprovação na sabatina do Senado estava dada como certa pelo Planalto.

BOLSONARO ESPERA SABATINA DE MENDONÇA PARA BREVE, APESAR DE SINALIZAÇÃO CONTRÁRIA DO SENADO
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que espera para os próximos dias a sabatina de André Mendonça, seu indicado para a vaga aberta com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal, apesar das indicações do Senado de que a análise do nome de Mendonça não será pautada tão cedo. Em entrevista a uma rádio do Vale da Ribeira (SP), Bolsonaro afirmou ainda saber que o indicação passa muito mais por um crivo político do que jurídico no Senado, mas voltou a defender o "saber jurídico" de Mendonça. Na semana passada, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviou para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa o nome de Mendonça, que ficou várias semanas parado na Mesa do Senado. A intenção foi fazer um gesto para uma pacificação entre os Poderes, sem resultado. A apresentação por Bolsonaro do pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na última sexta-feira, e a promessa de que outro, contra Luís Roberto Barroso, será apresentado na quarta-feira, acirrou novamente os ânimos no Senado. A interlocutores, o presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (DEM-AP), teria dito que não pretende marcar a sabatina de Mendonça. Na entrevista, Bolsonaro voltou a criticar o STF os ministros Moraes e Barroso, sem citar nomes dessa vez, e a levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro. Repetiu que irá às manifestações do 7 de setembro em Brasília e em São Paulo e afirmou que a liberdade de expressão no Brasil está sendo atacada, ao defender bolsonaristas presos ou processados pela veiculação de notícias falsas e ataques a instituições. "Foi preso há pouco tempo um deputado federal e continua preso até hoje, em prisão domiciliar. A mesma coisa um jornalista, ele é jornalista, é blogueiro, também continua em prisão domiciliar até hoje. Temos agora um presidente de partido. A gente não pode aceitar passivamente isso, dizendo: 'ah, não é comigo'. Vai bater na tua porta", afirmou. O presidente se referia aos casos do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso por fazer ameaças ao STF e a ministros, ao blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, investigado nos inquéritos dos atos anti-democráticos e das Fake News, e do presidente do PTB, Roberto Jefferson, preso recentemente por ataques às instituições.