PGR PEDE A STF ABERTURA DE INQUÉRITO CONTRA PAZUELLO POR SUPOSTA OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO A COVID-19 EM MANAUS
BRASÍLIA (Reuters) - O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu neste sábado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito por suposta omissão na conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na atuação da pasta em relação ao colapso da saúde pública em Manaus (AM). Augusto Aras atendeu a pedido de investigar criminalmente o ministro da Saúde, atendendo a representação formulada por partidos políticos. As legendas defenderam uma apuração contra o ministro por prevaricação, mas Aras, no pedido ao STF, não cita o crime pelo qual ele será investigado. Entre uma das providências das investigação, está o pedido de Aras para tomar o depoimento do ministro da Saúde. O procurador-geral entendeu que, após receber uma resposta de Pazuello, acompanhada por 200 páginas de documentos, era necessário abrir o inquérito para realizar um "aprofundamento nas investigações sobre os gravíssimos fatos imputados ao representado". Procurada, a assessoria de imprensa do ministério não se pronunciou até a publicação deste texto. No pedido de instauração de inquérito, Aras cita o fato de que já na semana do Natal se observava o aumento do número de casos de Covid-19 em Manaus, mas o ministro optou por enviar representante da pasta para a capital amazonense apenas em 3 de janeiro, "uma semana depois de ter tomado conhecimento da situação calamitosa em que se encontrava aquela capital". O procurador-geral menciona também um relatório de ações em que Pazuello informa que o ministério teve no dia 8 de janeiro conhecimento da iminente falta de oxigênio, por meio da empresa White Martins, fornecedora do produto. "O Ministério da Saúde iniciou a entrega de oxigênio apenas em 12 de janeiro, segundo as informações prestadas", acrescentou. Augusto Aras também destacou a recomendação de se fazer a remoção de pacientes que só começaram nove dias após apontado em relatório. Por último, ele mencionou que a pasta informou ter distribuído 120 mil unidades de hidroxicloroquina como medicamento para tratamento da Covid-19 no dia 14 de janeiro, às vésperas do colapso por falta de oxigênio, e cloroquina, "inclusive com orientações para o tratamento precoce da doença, todavia sem indicar quais os documentos técnicos serviram de base à orientação". "Considerando que a possível intempestividade nas ações do representado, o qual tinha dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados, pode caracterizar omissão passível de responsabilização cível, administrativa e/ou criminal, impõe-se o aprofundamento das investigações a fim de se obter elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial", afirma o procurador-geral. Nos últimos dias, Aras vinha sendo cobrado dentro e fora do Ministério Público para ter uma atuação mais firme em relação à conduta de autoridades federais no enfrentamento ao Covid-19, em especial após o colapso de Manaus.
QUEM PEDE IMPEACHMENT DE BOLSONARO NÃO REPRESENTA MAIORIA DOS EVANGÉLICOS, DIZ MALAFAIA
BRASÍLIA - O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que os evangélicos favoráveis ao afastamento do presidente Jair Bolsonaro não representam a maioria dos fiéis desse segmento no País. Nesta terça-feira, 26, um grupo de líderes religiosos protocolou um pedido de impeachment contra Bolsonaro na Câmara, sob o argumento de que ele cometeu crime de responsabilidade na pandemia da covid-19. "Meia dúzia de esquerdopatas evangélicos, apoiadores de corruptos que produziram o maior esquema de corrupção da história política do Brasil, fazendo manifesto de impeachment de Bolsonaro. Não representam nem 0,5% dos evangélicos", escreveu Malafaia, aliado de Bolsonaro, em mensagem postada Twitter. Como o Estadão/Broadcast antecipou, o pedido de impeachment foi assinado por católicos e evangélicos críticos ao governo. Malafaia também publicou uma nota com o mesmo posicionamento e o título "Esclarecimento à Sociedade Brasileira", assinando como presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil.O pastor faz parte de um grupo de líderes religiosos que apoiaram Bolsonaro nas eleições de 2018 e integram a base de apoio do governo. Essa ala, porém, também já esteve próxima de governos do PT. Os autores do pedido de impeachment admitem que são minoria no segmento religioso. Mesmo assim, o movimento foi feito para marcar posição e mostrar que nem todos os cristãos apoiam as atitudes de Bolsonaro na crise do novo coronavírus."Temos a consciência de que nem todas as pessoas das nossas igrejas são favoráveis a esse ato que estamos fazendo, mas é importante destacar essa pluralidade e as contradições que existem no âmbito do cristianismo. Nem todo cristianismo é bolsonarista”, afirmou na terça-feira, 26, a pastora Romi Márcia Bencke, representante do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil.
counter free
CIDADE NA BAIXADA FLUMINENSE SERÁ A PRIMEIRA DA AMÉRICA LATINA A GERAR ÓLEO DIESEL A PARTIR DE PLÁSTICO DESCARTADO
A partir do lixo, criar energia. Não se trata de alquimia, nem de bruxaria, mas sim de uma realidade que, embora ainda pouco comum no Brasil, já é muito difundida em vários países desenvolvidos da Europa e da Ásia, além de cidades do Estados Unidos. Seul, na Coreia do Sul, usa o material gerado a partir dos dejetos para calefação, ajudando a aquecer os moradores. E Paris, capital francesa, tem uma Unidades de Recuperação Energética (UREs) dentro da cidade. Agora, São João de Meriti, na Baixada Fluminense, tenta entrar para essa seleta lista. O município vai receber uma das primeiras UREs do Brasil, que será pioneira na América Latina em produzir óleo diesel a partir de plásticos, como as garrafas PET e pacotes de biscoito que emporcalham rios, lagoas e baías fluminenses. Além de gerar esses produtos a partir do que a população joga fora, a aposta na URE é reduzir custos com transporte, tratamento e disposição final adequada dos resíduos, além de gerar investimentos, empregos e renda em São João de Meriti.
O projeto é uma parceria da URE Fluminense com a Mais Verde, concessionária de limpeza urbana local, com investimentos externos. E deve ter obras concluídas até 2023, na Estação de Transferência de Resíduos (ETR) do bairro Venda Velha, que já está tendo o terreno preparado para o empreendimento. Além de atender aos cerca de 600 mil moradores do município - que tem uma das maiores densidades populacionais do país -, expansões na unidade a darão uma capacidade de beneficiar até 1,2 mil toneladas diárias de resíduos, três vezes mais do que o lixo gerado por São João de Meriti e o equivalente ao descarte de cerca de 1,5 milhão de pessoas. O objetivo, diz Ecles Luiz dos Santos, diretor geral da URE Fluminense, é fazer da cidade referência nessa nova matriz energética. Mas também ser uma solução para municípios vizinhos, rompendo com o ciclo histórico da Baixada de verdadeiros absurdos ambientais na destinação desses dejetos. – A URE é uma inovação diante do aumento da quantidade de resíduos resultantes do crescimento da população e da atividade humana. Queremos criar uma nova mentalidade a partir de produtos que terão um valor diferenciado: não financeiro, mas um valor de qualidade de vida – diz Ecles. Ele explica que, do resíduo sólido urbano produzido, os biológicos, como restos de frutas, legumes e outros alimentos, depois de desumidificados, continuarão indo para o aterro sanitário. Metais, vidros e plásticos duros, como o PVC, são separados para a reciclagem. A partir daí, outros derivados de plástico - a exemplo das PETs -, com grande concentração de nafta em sua composição, passarão por um processo químico para produzir óleo diesel. O restante, como têxteis, galhos da poda das árvores, pedaços de madeira, derivados de borracha e papel, sofrerá uma granulação e trituração até que suas partículas fiquem em tamanho homogêneo. Esse material que será convertido em energia elétrica ou vendido para os fornos de produção de cimento do interior do estado. – Em geral, a cada cem toneladas de resíduos, 10% vão para o aterro, de 15% a 20% serão destinados à produção de combustíveis biossintéticos, e os demais 80% a 85% vão virar energia ou comercialização às cimenteiras – afirma Ecles. Na primeira fase, a URE terá capacidade de gerar 10 MW de energia elétrica, o suficiente para abastecer um bairro de 50 mil habitantes. Parte dela será destinada a um conjunto residencial próximo ao local da unidade, onde os moradores serão beneficiados com a doação de 35% da energia elétrica consumida. Já a cada 400 toneladas de lixo, serão gerados 40 mil litros de combustível biossintético, para abastecer os veículos da própria empresa, toda a frota a diesel da prefeitura e ainda vendê-lo a empresas, como transportadoras, firmas de logística de de navegação. Esse óleo, ressalva o diretor da URE, só não poderá ser vendido nas bombas dos postos de gasolina, por vir de um processo alternativo, não oriundo de refinarias
.